EES e cidadania italiana: o que muda nos aeroportos europeus e por que isso não se aplica a quem tem cidadania italiana
A relação entre o EES e a cidadania italiana define experiências completamente distintas na fronteira europeia. A partir desta sexta-feira, 10 de abril de 2026, viajar para a Europa ficou mais burocrático para quem carrega apenas o passaporte brasileiro.
Isso acontece porque o EES (Entry/Exit System ou Sistema de Entrada e Saída) entra em vigor em aeroportos de 29 países e substitui o tradicional carimbo no passaporte por um registro digital com dados pessoais e biométricos.
Para descendentes de italianos que ainda não reconheceram sua cidadania, essa notícia tem um peso concreto. Mas, para quem já é cidadão italiano, ela é simplesmente irrelevante.
Portanto, entender essa diferença é o ponto central deste artigo.
O que é o EES e o que muda na prática
O EES é um sistema digital e totalmente automatizado que registra os dados biométricos, os dados do documento de viagem e as datas de viagem de nacionais de países terceiros que visitam o Espaço Schengen para estadas de curta duração, ou seja, de até 90 dias em um período de 180 dias.
Na prática, além do controle feito por agentes de imigração, o passageiro precisará realizar um cadastro prévio. Para quem tem passaporte biométrico, caso da maioria dos brasileiros, o processo será feito em totens de autoatendimento nos aeroportos.
A recomendação de companhias aéreas é reservar pelo menos duas horas extras para o processo de imigração, evitando conexões apertadas, especialmente nos primeiros meses.
De fato, a implementação gradual que começou em outubro de 2025 já deu sinais do impacto: em aeroportos como o de Lisboa, foram registradas filas de até cinco horas, o que levou à suspensão temporária do sistema.
Como alternativa para agilizar o processo, a Comissão Europeia lançou o aplicativo “Travel to Europe”, disponível para Android e iOS, que permite antecipar o cadastro em até 72 horas antes do embarque, gerando um QR Code a ser apresentado nos totens.
EES e ETIAS: dois sistemas distintos que afetam apenas não-europeus
Antes de avançar, um ponto que tem gerado confusão merece esclarecimento direto. O EES é diferente do ETIAS (espécie de “visto europeu”), que segue previsto apenas para o fim de 2026.
Embora sejam sistemas distintos com finalidades diferentes, já que o EES registra entradas e saídas no Espaço Schengen, enquanto o ETIAS será uma autorização prévia de viagem, similar ao ESTA americano, ambos se aplicam exclusivamente a viajantes de fora do bloco europeu.
Por que cidadãos italianos não são afetados pelo EES
Aqui está o ponto central: o EES não é aplicável a nacionais de países europeus que utilizam o sistema, nem a familiares diretos de um nacional da UE com cartão de residência.
Além disso, o EES não introduz quaisquer requisitos novos para pessoas abrangidas pela livre circulação na Europa.
Em termos práticos: o cidadão italiano, independentemente de ter nascido no Brasil, circula pela Europa como um europeu. Não há registro biométrico obrigatório, não há fila de imigração, não há limite de 90 dias em 180. Consequentemente, a fronteira para quem tem o passaporte italiano funciona de forma estruturalmente diferente.
O que o EES revela sobre o diferencial da cidadania italiana
O novo sistema deixa explícita uma assimetria que já existia, mas que muitas vezes permanece abstrata: o passaporte define qual fila você vai enfrentar.
Por um lado, com o passaporte brasileiro, você entra na fila dos estrangeiros, sujeito ao EES, ao ETIAS quando entrar em vigor, ao limite de 90 dias e a todos os controles que a Europa tem reforçado progressivamente. Por outro, com o passaporte italiano, você entra pela fila da União Europeia, sem registro biométrico adicional, sem restrição de permanência, sem autorização prévia.
Mais do que isso, para brasileiros com ascendência italiana, essa diferença não é apenas operacional. Ela é estrutural. E ela se aplica também aos filhos e netos de quem reconhece a cidadania hoje, porque a cidadania italiana por descendência é transmissível.
EES, cidadania italiana e o momento certo para agir
Em resumo, o EES é mais um elemento em uma trajetória clara: a Europa tem avançado sistematicamente no controle de quem entra e por quanto tempo. Na sequência, o ETIAS virá na sequência. Cada novo instrumento torna a distinção entre cidadão europeu e visitante estrangeiro mais concreta e mais custosa na prática.
Por isso, para descendentes de italianos que ainda não iniciaram o processo de reconhecimento da cidadania, cada viagem à Europa com passaporte brasileiro é uma experiência que, com o documento certo, seria completamente diferente.
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FAQ
Sim. Brasileiros viajando com passaporte brasileiro são considerados nacionais de países terceiros e estão sujeitos ao registro no EES a partir de 10 de abril de 2026.
Não. O EES se aplica exclusivamente a viajantes de fora do Espaço Schengen e da União Europeia. Cidadãos italianos, incluindo ítalo-brasileiros com dupla cidadania, estão isentos.
O ETIAS é uma autorização eletrônica de viagem para visitantes de países sem visto na Europa, similar ao ESTA americano. Sua previsão de implementação é o fim de 2026 e é diferente do EES.
O EES em si não altera o limite de 90 dias em 180, ele apenas passa a registrar digitalmente o cumprimento ou descumprimento desse limite, que já existia.
A recomendação das companhias aéreas é de pelo menos duas horas extras, especialmente nos primeiros meses de implementação e para viajantes fazendo o primeiro cadastro no sistema. Mas, lembrando que o ESS não se aplica a brasileiros com cidadania italiana.