Parece que Trump ainda não entendeu quem somos e como o mundo nos vê.

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Parece que Trump ainda não entendeu quem somos e como o mundo nos vê.

Parece que Trump ainda não entendeu quem somos e como o mundo nos vê

Por Welliton Girotto

CEO — Master Cidadania

A mobilidade profissional do futuro não será feita por atalhos, mas por preparo, critério e alinhamento real aos sistemas que recebem.

Nos últimos dias, uma notícia voltou a ocupar o centro do debate público no Brasil: a decisão do governo dos Estados Unidos de suspender a emissão de vistos para brasileiros e cidadãos de mais de 70 países.

A reação imediata foi previsível. Indignação, frustração e, mais uma vez, a sensação de que o brasileiro continua sendo tratado como um problema e não como parte da solução.

Mas talvez a pergunta mais relevante não seja por que os Estados Unidos tomaram essa decisão.
Talvez a pergunta correta seja:

por que ainda insistimos em olhar apenas para os Estados Unidos como referência absoluta de mobilidade profissional internacional?

A suspensão de vistos não é um acidente mas uma escolha política

É importante dizer com clareza: a suspensão de vistos anunciada pelo governo norte-americano não é um evento técnico, nem uma resposta direta ao perfil do profissional brasileiro.

Ela é uma decisão política, ancorada em agendas internas, eleitorais e ideológicas. Uma leitura defensiva da mobilidade internacional, que enxerga fluxo de pessoas como risco, e não como ativo estratégico.

Esse tipo de política não nasce da análise de currículos, formações ou competências.
Nasce do medo.

E o medo raramente produz boas decisões.

O Brasil mudou mas nem todos atualizaram o mapa

Durante muito tempo, o Brasil foi visto no exterior como um país exportador de mão de obra pouco qualificada. Esse estereótipo já não corresponde à realidade.

Hoje, o Brasil forma profissionais altamente capacitados em áreas estratégicas:

- saúde (enfermagem, medicina, fisioterapia),

- engenharia e indústria,

- tecnologia da informação,

- energia e infraestrutura,

- agronegócio de alta complexidade,

- serviços técnicos especializados.

Brasileiros atuam com reconhecimento em hospitais europeus, centros de pesquisa, empresas multinacionais e sistemas públicos de países altamente regulados.

Ignorar esse capital humano é ignorar dados objetivos.

Quando políticas migratórias tratam todos como um bloco homogêneo, elas deixam de dialogar com o mundo real.

O erro não é o brasileiro. É o improviso.

Existe, porém, um ponto que precisa ser dito com honestidade.

O problema nunca foi o brasileiro.
Mas também nunca foi apenas o passaporte.

O que os mercados globais rejeitam e com razão é:

- improvisação,

- desalinhamento técnico,

- expectativa construída sem preparo,

- decisões tomadas por manchetes genéricas.

Onde há método, clareza regulatória e preparo real, há espaço.
Onde há promessa vazia, há frustração.

E é justamente aqui que a comparação entre Estados Unidos e Europa se torna inevitável.

Enquanto os EUA fecham portas, a Europa organiza o acesso

A Europa enfrenta um desafio concreto e documentado: escassez de mão de obra qualificada, especialmente em setores regulados como saúde e áreas técnico-industriais.

A resposta europeia não tem sido fechar portas indiscriminadamente.

Tem sido organizar o acesso.

O modelo europeu se baseia em pilares claros:

- reconhecimento formal de qualificações (quando aplicável),

- certificações técnicas alinhadas a padrões comuns,

- exigência de idioma funcional,

- integração progressiva e regulada ao mercado de trabalho,

- avaliação contínua de competências.

Não é um sistema fácil.
Mas é um sistema previsível.

A Europa não vende atalhos.
Ela oferece percurso.

Mobilidade profissional não é imigração por impulso

Aqui reside uma confusão recorrente, que prejudica tanto profissionais quanto instituições: misturar mobilidade profissional qualificada com migração genérica.

São fenômenos distintos.

Mobilidade profissional exige:

- leitura correta do mercado de destino,

- entendimento das regras do jogo,

- adequação técnica e comportamental,

- respeito aos sistemas regulatórios locais.

Não se trata de "querer ir".
Trata-se de poder atuar.

E poder atuar depende menos de discursos políticos e mais de preparo objetivo.

O mundo caminha para um modelo seletivo e isso não é ruim

O cenário global aponta para um movimento claro: os países não estão ficando mais fechados por nacionalidade, mas mais criteriosos por competência validada.

O filtro deixou de ser "de onde você vem" e passou a ser:

- o que você sabe fazer,

- como você comprova isso,

- se você entende o sistema que te recebe,

- se você reduz risco ou cria risco.

Nesse contexto, a pergunta central muda completamente.

Não é mais:

"Qual país está aberto?"

Mas sim:

"Para qual sistema eu estou preparado?"

O custo das promessas fáceis

Sempre que um país endurece regras, surgem discursos oportunistas prometendo soluções rápidas em outros lugares.

É aí que mora o perigo.

Projetos baseados em promessas genéricas costumam gerar:

- perdas financeiras,

- frustração profissional,

- desgaste emocional,

- e danos reputacionais difíceis de reparar.

A mobilidade profissional responsável exige o oposto:
menos promessa,
mais diagnóstico.

Preparação virou ativo estratégico

Cada vez mais, profissionais que conseguem circular com estabilidade são aqueles que:

- entendem se sua profissão é regulada,

- sabem quais certificações são exigidas,

- dominam o idioma de forma funcional,

- conhecem o comportamento esperado no ambiente profissional local,

- tomam decisões baseadas em critério, não em urgência.

Essa lógica, ainda pouco difundida na América Latina, já é padrão em muitos contextos europeus.

Não por acaso, cresce o número de iniciativas que tratam mobilidade profissional como projeto estruturado, e não como tentativa.

Talvez o erro seja insistir na referência errada

Os Estados Unidos continuam sendo um país relevante.
Mas já não são a única e nem sempre a melhor referência para profissionais brasileiros.

O mundo se reorganizou.

A Europa, em especial, passou a ocupar um papel central na mobilidade profissional qualificada, oferecendo algo que falta em outros contextos: regras claras, previsibilidade e critérios técnicos.

Isso não significa facilidade.
Significa seriedade.

O futuro pertence a quem entende o sistema antes de se mover

A frase que resume este momento talvez seja simples, mas incômoda:

A mobilidade profissional do futuro não será feita por atalhos, mas por preparo, critério e alinhamento real aos sistemas que recebem.

Quem insiste em atalhos continuará batendo em portas fechadas.
Quem investe em entendimento constrói caminhos.

O Brasil está mais preparado do que imagina

O profissional brasileiro, quando bem orientado, preparado e alinhado aos critérios corretos, é competitivo. O mundo já percebeu isso.

Alguns governos ainda não.

Mas o movimento global não espera por discursos políticos. Ele responde a competência validada.

Enquanto alguns constroem muros administrativos, outros constroem pontes técnicas.

Cabe a cada profissional decidir onde faz sentido investir energia, tempo e preparo.

Conclusão

Talvez o erro não esteja apenas nas decisões dos Estados Unidos.
Talvez esteja em continuar olhando para o mesmo lugar, esperando respostas diferentes.

O mundo é maior.
As oportunidades são mais diversas.
E o profissional brasileiro, quando se prepara de forma séria, não precisa de favores — apenas de sistemas que funcionem.

A Europa entendeu isso.
Outros mercados também.

Parece que Trump ainda não.



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