Aeroportos italianos: qual usar para chegar mais perto do seu destino
Imagine desembarcar em Roma, pegar um trem de 32 minutos até o centro da cidade, e de lá alcançar Florença em menos de 90 minutos de trem de alta velocidade. Ou então pousar em Bergamo, a 45 km de Milão, pagando metade do preço da passagem e, assim, chegar ao centro da capital da moda em uma viagem de ônibus de 50 minutos de duração.
De fato, a Itália é um país longo, estreito e extraordinariamente bem servido de aeroportos. São mais de 40 aeroportos comerciais espalhados pelo território e mais de 60% deles movimentam mais de um milhão de passageiros por ano.
Por um lado, para quem viaja apenas com o passaporte brasileiro, a escolha do aeroporto de entrada é uma decisão logística. Por outro lado, para quem já tem a cidadania italiana, ela é uma decisão de estilo de vida porque quem circula pela Europa como europeu tende a explorar o país de forma completamente diferente, com mais frequência, mais flexibilidade e rotas que os guias de turismo raramente mostram.
Este guia foi feito para os dois perfis.
O cenário atual: um recorde que muda a lógica das viagens
Antes de falar de cada aeroporto, vale entender o momento. Em 2024, os aeroportos italianos bateram recorde ao receber quase 220 milhões de passageiros, um aumento de 11,1% em relação ao ano anterior. Desse total, 146 milhões fizeram rotas internacionais, colocando o setor de volta nos patamares pré-Covid.
Naturalmente, esse crescimento tem consequências práticas: filas maiores, mais opções de voos, tarifas mais competitivas e uma infraestrutura que a Itália vem modernizando rapidamente. Por exemplo, os modernos scanners EDS-C3 já estão em operação em Roma Fiumicino, Milão Linate, Milão Malpensa T1, Bergamo, Bolonha, Turim e Catânia, e permitem líquidos na bagagem de mão de até dois litros. Em resumo, quem viajou para a Itália há cinco anos e quem viaja hoje está passando por aeroportos diferentes.
Paralelamente, no plano global, o mundo da aviação também está em transformação. A alta do petróleo e os conflitos em curso no leste europeu e no Oriente Médio pressionam os custos operacionais das companhias aéreas e isso se reflete diretamente no preço das passagens e nas rotas disponíveis. Sendo assim, entender qual aeroporto usar não é apenas uma questão de conveniência: é uma decisão que pode impactar significativamente o custo total da viagem.
Voos do Brasil para a Itália: o que está disponível hoje
Antes de falar dos aeroportos em si, uma informação essencial para o leitor brasileiro: em 2025, duas companhias fazem voos diretos entre Brasil e Itália: a ITA Airways e a LATAM. A ITA Airways é a atual companhia de bandeira da Itália, que opera no lugar da Alitalia desde 2020.
Nesse sentido, o Aeroporto de Roma Fiumicino é o principal destino para voos intercontinentais do Brasil para a Itália. Especificamente, o Aeroporto de Guarulhos oferece voos diretos para Roma Fiumicino diariamente. Contudo, para chegar em Milão, é necessário fazer escala em uma cidade europeia e as mais comuns são Madrid, Lisboa, Paris e Frankfurt.
Além disso, para quem prefere conexão, os voos diretos entre São Paulo ou Rio de Janeiro e Roma ou Milão têm duração média de 11 a 12 horas. Com escala, portanto, o tempo total varia bastante e é aqui que a escolha inteligente do aeroporto de entrada começa a fazer diferença.
Os grandes hubs: os aeroportos que você precisa conhecer
Roma Fiumicino — Leonardo da Vinci (FCO)

O Aeroporto de Roma Fiumicino é o maior e mais moderno da Itália, movimentando mais de 49 milhões de passageiros em 2024. Foi repetidamente premiado como o melhor aeroporto da Europa e, de fato, não é exagero: quem chega de longa distância encontra uma infraestrutura que rivaliza com os melhores aeroportos do mundo.
No entanto, Fiumicino fica a cerca de 30 km do centro de Roma. E aqui está a boa notícia para quem chega exausto depois de 12 horas de voo: o Leonardo Express é um trem aeroportuário que conecta o aeroporto à estação Roma Termini em 32 minutos, operando a cada 15 minutos. O bilhete custa €14 e crianças até 12 anos viajam gratuitamente acompanhadas de um adulto. Melhor ainda: a estação fica dentro do próprio aeroporto, sem ônibus, sem transferência, sem complicação.
A partir de Roma Termini, você está a um passo da Itália inteira: trens de alta velocidade alcançam Nápoles em 70 minutos, Florença em 90 minutos, Milão em 3 horas. Fiumicino é a porta de entrada perfeita para quem vai ao sul da Itália, à Costa Amalfitana, à Sicília ou para quem simplesmente quer começar pela Cidade Eterna.
Ideal para: Roma, sul da Itália, Nápoles, Sicília, Sardenha e Toscana via trem.
Milão Malpensa (MXP)

Com 28,9 milhões de passageiros em 2024, Malpensa é o segundo maior aeroporto da Itália. É, portanto, o principal hub internacional de Milão e o ponto de chegada mais indicado para quem desembarca direto no norte do país.
Vale lembrar que o aeroporto fica a cerca de 50 km do centro de Milão, uma distância que surpreende quem imagina estar chegando perto. No Malpensa Express, que conecta o aeroporto às principais estações ferroviárias de Milão, a passagem custa €13 e a viagem dura aproximadamente 55 minutos até a Estação Central. Para quem compra ida e volta pelo site oficial, os dois trechos saem por €20 em vez de €26, mas o retorno precisa ocorrer em até 30 dias.
Além disso, Malpensa tem dois terminais separados por 4 km. O Terminal 1 recebe as companhias tradicionais, incluindo a LATAM para quem vem do Brasil com escala. O Terminal 2 é o reduto das companhias de baixo custo europeias. Os dois terminais estão conectados por um ônibus gratuito, com saídas a cada 7 minutos durante o dia.
A partir de Milão, portanto, o mundo abre: Lago de Como em 1 hora, Veneza em 2h30 de trem, Florença em 2 horas, Turim em 1 hora.
Ideal para: Milão, Lagos do norte (Como, Maggiore, Garda), Turim, Genova, Piemonte e Lombardia.
Milão Linate (LIN)
Em contraste com Malpensa, Linate é o aeroporto urbano de Milão: compacto, eficiente e muito mais próximo do centro. É muito apreciado por viajantes de negócios graças às curtas distâncias e ao terminal renovado, além da nova linha de metrô M4. A linha M4 conecta Linate ao centro de Milão em poucos minutos, tornando-o uma das conexões aeroporto-cidade mais rápidas da Itália.
Todavia, a desvantagem é que Linate opera principalmente voos domésticos e europeus de curta distância. Por isso, não há voos diretos do Brasil para Linate. Mas para quem já está na Europa e quer chegar em Milão de forma rápida, é a opção mais conveniente.
Ideal para: viajantes de negócios, conexões dentro da Europa, quem se hospeda no centro de Milão.
Bergamo Orio al Serio (BGY)
Se Malpensa é o aeroporto chique de Milão, Bergamo é o pragmático. Com 17,3 milhões de passageiros em 2024, é o terceiro aeroporto mais movimentado da Itália. E o motivo é simples, afinal, é aqui que a Ryanair e outras companhias low-cost europeias baseiam uma parte significativa das operações no norte da Itália.
Assim, para quem já está na Europa e quer chegar em Milão gastando muito menos, Bergamo é frequentemente a resposta. Além disso, a cidade de Bergamo em si também vale uma visita: o centro histórico medieval é uma das joias mais subestimadas do norte da Itália.
Ideal para: viajantes que chegam de outros países europeus, roteiros com companhias low-cost, quem quer visitar Bergamo.
Veneza Marco Polo (VCE)

Há aeroportos que oferecem uma chegada. Já outros oferecem uma experiência completa. Marco Polo pertence à segunda categoria. A chegada pela lagoa é uma experiência inesquecível.
No entanto, o aeroporto de Veneza fica na “terraferma”, ou seja, no continente, separado da cidade histórica pela lagoa. Naturalmente, as opções de transporte refletem essa geografia peculiar. Uma das opções mais econômicas é o waterbus, que parte de um cais próximo do aeroporto até o centro da cidade. O percurso dura aproximadamente 1 hora e custa cerca de €15 por pessoa. Para quem preferir um táxi aquático, o percurso dura entre 30 e 40 minutos, mas o preço sobe para cerca de €100. Como alternativa, há ônibus terrestres até a Piazzale Roma, em 20 minutos, para quem prefere economizar.
Marco Polo é o ponto de entrada perfeito para o Vêneto, região de onde veio uma parte significativa dos imigrantes italianos que chegaram ao Brasil entre o final do século XIX e o início do XX. Por isso, para descendentes de italianos com origens em cidades como Treviso, Vicenza, Verona ou Pádua, pousar em Veneza tem um peso que vai além da logística.
Ideal para: Veneza, Vêneto, Treviso, Verona, Pádua, Dolomitas.
Roma Ciampino (CIA)
Ciampino é o segundo aeroporto de Roma e, em contrapartida, funciona numa lógica completamente diferente de Fiumicino. Ryanair, Wizz Air e Volotea operam principalmente em Bergamo, Pisa, Ciampino, Treviso e Alghero. Esses aeroportos oferecem tarifas mais baixas e processos rápidos, mas podem ter serviços mais limitados e acessos mais longos.
Curiosamente, Ciampino fica a apenas 15 km do centro de Roma, mais próximo que Fiumicino. Mas, não tem conexão de trem direta com o centro: a chegada é feita por ônibus até a estação Termini, em cerca de 40 minutos. Desse modo, para quem vem de voos domésticos ou europeus de baixo custo, é uma boa alternativa. Para quem chega do Brasil, Fiumicino é quase sempre a escolha mais prática.
Ideal para: voos domésticos e europeus de baixo custo, conexões dentro da Europa.
Os aeroportos regionais que fazem diferença
Bolonha Guglielmo Marconi (BLQ)
Entre os aeroportos regionais, o de Bolonha impressiona pela excelente organização e ambiente acolhedor. Apesar de cerca de 11 milhões de passageiros em 2024, tudo funciona de forma eficiente e estruturada. A ligação direta de monotrilho para a estação central facilita viagens para Florença, Milão ou Roma.
Vale destacar que Bolonha está no coração da Emilia-Romagna, região que deu ao mundo o parmesão, o presunto de Parma, o ragú bolonhese e a Ferrari. Portanto, pousar em Bolonha e usar a cidade como base para explorar essa região gastronômica é uma das experiências mais recomendadas por quem conhece a Itália além dos roteiros óbvios.
Ideal para: Bolonha, Emilia-Romagna, Florença (35 minutos de trem de alta velocidade), Módena, Parma.
Pisa Galileo Galilei (PSA)
O aeroporto de Pisa é a porta de entrada para a Toscana e uma alternativa inteligente para quem quer evitar os preços mais altos de Fiumicino. Florença fica a apenas 80 km de Pisa, com trem direto. Além disso, a própria Pisa, com a Torre Inclinada e o Duomo na Piazza dei Miracoli, vale pelo menos meio dia.
Ideal para: Toscana, Florença, Siena, Pisa, Cinque Terre (costa da Ligúria).
Nápoles Capodichino (NAP)
Com 12,6 milhões de passageiros em 2024, Nápoles é o quarto aeroporto mais movimentado da Itália. É, sobretudo, o ponto de entrada para o sul do país e para um dos territórios mais fascinantes da Europa. Pompeia, a Costa Amalfitana, Capri, Positano, as ruínas gregas de Paestum: tudo isso começa aqui.
Ideal para: Nápoles, Costa Amalfitana, Pompeia, Capri, Ischia, Basilicata, Calábria.
Catânia Fontanarossa (CTA)
Situado aos pés do Monte Etna, Catânia é o aeroporto mais importante da Sicília. Uma nova estação ferroviária conecta o aeroporto ao centro de Catânia em apenas 8 minutos. Vale lembrar que a Sicília é uma das regiões da Itália com maior concentração de emigrantes que vieram para o Brasil e para descendentes com origens sicilianas, chegar em Catânia é, de alguma forma, chegar em casa.
Ideal para: Sicília, Catânia, Palermo (via conexão doméstica ou terrestre), Taormina, Valle dei Templi.
Bari Karol Wojtyla (BRI)
O moderno aeroporto de Bari é a principal porta de entrada para a bela região da Apúlia. Com voos para várias cidades europeias, trata-se de uma ótima opção para quem deseja explorar as praias do Adriático, as cidades históricas e os famosos trulli de Alberobello. Inclusive, a Apúlia tem sido uma das regiões de mais rápido crescimento no turismo europeu e ainda é pouco conhecida pelo público brasileiro.
Ideal para: Apúlia, Bari, Lecce, Alberobello, Matera, costa adriática.
Tabela comparativa: escolha rápida por destino
| Destino na Itália | Aeroporto recomendado | Conexão com a cidade |
| Roma | FCO — Fiumicino | Leonardo Express, 32 min, €14 |
| Milão (voos intercontinentais) | MXP — Malpensa | Malpensa Express, 55 min, €13 |
| Milão (voos europeus) | LIN — Linate BGY — Bergamo | Metrô M4 / Ônibus, 20–50 min |
| Veneza e Vêneto | VCE — Marco Polo | Waterbus (1h, €15) Ônibus (20 min) |
| Toscana | PSA — Pisa FCO — Fiumicino | Trem até Florença, ~1h |
| Bolonha e Emilia-Romagna | BLQ — Bolonha | Monotrilho, 7 min |
| Nápoles e sul | NAP — Capodichino | Ônibus, 25 min |
| Sicília | CTA — Catânia | Trem, 8 min |
| Apúlia | BRI — Bari | Trem regional, 20 min |
O fator que os guias de viagem raramente explicam
Há uma diferença que vai além da logística. Quem viaja para a Itália como turista, com passaporte brasileiro, sujeito ao limite de 90 dias no Espaço Schengen, tende a concentrar a viagem nos grandes destinos, nos roteiros mais conhecidos, no tempo que tem disponível.
Quem viaja como cidadão italiano, porém, viaja de outro jeito. Afinal, sem restrição de permanência, sem burocracia de entrada, sem o relógio dos 90 dias correndo, tudo muda. Consequentemente, esse perfil de viajante descobre a Itália de forma progressiva: vai a Bergamo porque é mais barato, pousa em Bari porque está explorando o sul, chega em Catânia porque as passagens estavam mais baratas naquela semana. Por fim, usa a rede ferroviária italiana como quem usa o metrô, ou seja, com naturalidade, sem planejamento excessivo.
Em última análise, essa diferença começa no aeroporto, no momento em que você escolhe qual fila vai enfrentar.
A cidadania italiana muda até a forma de escolher um aeroporto
Quem tem o passaporte italiano não pensa em aeroporto como um portal de entrada com restrições. Pensa nele como um ponto de partida conveniente (ou inconveniente) para o destino do momento.
Essa liberdade tem um nome: cidadania italiana por descendência. E ela está disponível para milhões de brasileiros que sequer sabem que têm esse direito.
A cidadania italiana é transmitida por linha de sangue. Portanto, se você tem um bisavô, avô ou pai italiano, pode ter direito ao reconhecimento judicial da sua cidadania e a de toda a sua família. Após o reconhecimento, você passa a ser cidadão europeu com todos os direitos: livre circulação, acesso a sistemas de saúde e educação, trabalho em qualquer país da União Europeia e, claro, uma relação completamente diferente com cada aeroporto desta lista.
O processo é judicial, conduzido por advogados especializados e com base em documentação da sua linha familiar. Assim, não é necessário morar na Itália, falar italiano ou abrir mão da cidadania brasileira.
A Master Cidadania atua há mais de 20 anos nesse processo, com escritório próprio em Milão e equipe jurídica especializada em reconhecimento de cidadania italiana por descendência. Consequentemente, cada família que atendemos sai com um panorama claro: se tem direito, qual é o caminho, e qual é o prazo realista.
Se você quer entender se tem direito à cidadania italiana e o que isso significaria para a sua família, o primeiro passo é uma análise de caso.
Solicite sua análise gratuita com a Master Cidadania →
Perguntas frequentes
Roma Fiumicino, com 49,2 milhões de passageiros em 2024. É também o principal hub para voos intercontinentais, incluindo os voos diretos do Brasil.
Sim. Em 2025 e 2026, ITA Airways e LATAM operam voos diretos de São Paulo para Roma. O Rio de Janeiro também tem voos diretos para Roma pela ITA. Para Milão, é necessário fazer escala em uma cidade europeia.
Os melhores são Pisa (com trem direto de cerca de 1 hora até Florença) e Bolonha (com trem de alta velocidade em apenas 35 minutos). Roma Fiumicino também é uma opção viável, já que Florença fica a 90 minutos de trem de alta velocidade a partir de Roma Termini.
O Leonardo Express custa €14 e leva 32 minutos até a estação Roma Termini. Existe ainda o trem regional FL1, que faz mais paradas e custa €8, com destino a Roma Tiburtina.
Depende de onde você vem. Malpensa recebe voos intercontinentais e de médio alcance, incluindo conexões do Brasil. Linate opera principalmente voos domésticos e europeus de curta distância, mas é mais próximo do centro. Para quem chega do Brasil, Malpensa é quase sempre a única opção.
Catânia (CTA) é o principal, com nova estação ferroviária conectando ao centro em 8 minutos. Para quem visita o lado ocidental da ilha, Palermo tem seu próprio aeroporto (PMO).